UOL K



Ateus

Tópico: Diamente de Harris

eru
avatar
É absurdo os moderados religiosos sugerirem que um ser humano racional possa crer em Deus simplesmente porque esta crença o torne feliz, alivie seu medo da morte ou dê sentido à sua vida. O absurdo se torna óbvio no momento em que trocamos a noção de Deus por alguma outra noção confortadora: Imagine, por exemplo, que um homem queira acreditar na existência de um diamante do tamanho de uma geladeira enterrado em algum ponto de seu quintal. Sem dúvida, seria excepcionalmente bom crer nisso. Imagine se ele seguisse o exemplo dos moderados religiosos e sustentasse sua crença através de uma linha pragmática: Quando perguntado por que supunha haver em seu quintal um diamante mil vezes maior que qualquer um já descoberto, ele responderia "Esta crença dá sentido à minha vida", ou "Minha família e eu gostamos de cavar o quintal procurando por ele aos domingos" ou "Não gostaria de viver em um Universo onde não houvesse um diamante do tamanho de uma geladeira enterrado no meu quintal". Obviamente, estas respostas são inadequadas. Mas são mais que isso. São justificativas de um louco ou de um idiota. Vemos aqui por que a aposta de Pascal¹, o salto de fé de Kierkegaard² e outras maquinações epistemológicas não funcionam: Crer em Deus é defender que tenhamos uma relação tal com sua existência que sua existência seja ela própria o motivo de nossa crença. É preciso haver alguma conexão causal entre o fato em questão e nossa aceitação dele.
- Sam Harris (1967-), escritor estadunidense, em "Manifesto Ateísta" (2005).
19:21 - 07/05/2007

Respostas ao tópico: Diamente de Harris

eru
avatar
¹A Aposta de Pascal é uma brincadeira proposta pelo filósofo e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662): "É melhor crer em Deus: se você estiver certo, vai para o céu; e se estiver errado não perde nada. Por outro lado, se você duvidar dele e estiver errado, irá para o inferno; e se estiver certo será indiferente." Como o biólogo britânico Ricard Dawkins observou bem em seu livro "The God Delusion" (2006), a primeira falha deste argumento é a mentalidade de cassino de apostas: Crer ou duvidar do improvável não é algo que possamos controlar; Podemos, no máximo, fingir. Além disso, e se apostarmos no deus errado? Se quem estiver nos esperando do outro lado não for Jeová, mas sim o igualmente invejoso Baal, o outro deus patriarcal dos judeus, que disputou espaço com ele?

²O Salto de fé de Kierkegaard, proposto pelo filósofo e teólogo dinamarquês Søren Kierkegaard (1813–1855), é a justificativa do ato de crer em algo sem qualquer evidência empíri
19:21 - 07/05/2007 Apagar
eru
avatar
²O Salto de fé de Kierkegaard, proposto pelo filósofo e teólogo dinamarquês Søren Kierkegaard (1813–1855), é a justificativa do ato de crer em algo sem qualquer evidência empírica, mascarando a dúvida com uma fé cega. Não é necessária fé para crer que uma mesa exista, quando estamos olhando-a e tocando-a, pois nossos sentidos eliminam qualquer dúvida. Mas não temos como demonstrar a existência de Deus; logo, é necessária a fé para eliminar a dúvida. A fé nasce da dúvida, e aparece exatamente para remediar a falta de evidências; Portanto, seria ilógico exigir que questões de fé sejam embasadas em evidências. Por outro lado, onde há evidências, não precisa haver fé.
19:27 - 07/05/2007 Apagar



 
Atenção! Sua senha é secreta. Nenhum funcionário do UOL está autorizado a solicitá-la. Regras de uso. | Crimes virtuais: denuncie