É absurdo os moderados religiosos sugerirem que um ser humano racional possa crer em Deus simplesmente porque esta crença o torne feliz, alivie seu medo da morte ou dê sentido à sua vida. O absurdo se torna óbvio no momento em que trocamos a noção de Deus por alguma outra noção confortadora: Imagine, por exemplo, que um homem queira acreditar na existência de um diamante do tamanho de uma geladeira enterrado em algum ponto de seu quintal. Sem dúvida, seria excepcionalmente bom crer nisso. Imagine se ele seguisse o exemplo dos moderados religiosos e sustentasse sua crença através de uma linha pragmática: Quando perguntado por que supunha haver em seu quintal um diamante mil vezes maior que qualquer um já descoberto, ele responderia "Esta crença dá sentido à minha vida", ou "Minha família e eu gostamos de cavar o quintal procurando por ele aos domingos" ou "Não gostaria de viver em um Universo onde não houvesse um diamante do tamanho de uma geladeira enterrado no meu quintal". Obviamente, estas respostas são inadequadas. Mas são mais que isso. São justificativas de um louco ou de um idiota. Vemos aqui por que a aposta de Pascal¹, o salto de fé de Kierkegaard² e outras maquinações epistemológicas não funcionam: Crer em Deus é defender que tenhamos uma relação tal com sua existência que sua existência seja ela própria o motivo de nossa crença. É preciso haver alguma conexão causal entre o fato em questão e nossa aceitação dele. - Sam Harris (1967-), escritor estadunidense, em "Manifesto Ateísta" (2005).
19:21 - 07/05/2007
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